Ontem à noite, finalmente depois de ter um estresse bravo com a conexão, larguei tudo e fui dormir. Acordei às duas da manhã para o ajuste dos ventos, e eu não tinha nem a mínima idéia do que encontraria, já que naquele sufoco de navegar praticamente às cegas, não fiz nenhuma estratégia, nada, só tratei de acompanhar os barcos ao redor.
Então tive uma notícia boa e uma ruim. A boa é que o Curupira VIII estava em 4º lugar na geral, mas a ruim que veio em seguida foi que os ventos que surgiram eram totalmente desfavoráveis. Nada a fazer, devo cair e muito na classificação com meus dois barcos. Mas a regata virtual, como a real, é assim mesmo. As coisas mudam muito rápido, o importante então é tentar manter-se entre os 100 primeiros, não se levar por classificações parciais que enganam (de qualquer modo, se a gente está sempre presente entre os primeiros, vai ganhando prestígio no meio) e se preocupar mais com a regata como um todo, e não com uma só etapa.
O Rudnei é que está se dando muito bem, é capaz de ganhar a liderança, pois os ventos que surgiram parece que foram mandados pelos deuses particulares dele... rsrsrs. Ótimo, agora ele que assuma as primeiras colocações, sempre com uma bandeira brasileira no topo.... Mas o que vale é o final, temos que continuar batalhando.
Para mim,esta etapa comprova que levar dois barcos é um erro muito grande. Na regata do jornal L'Equipe, que está acontecendo em paralelo, fui só com o Curupira VIII, e entre os barcos sem equipamentos extras, o resultado é que fiquei liderando com mais de 16 milhas de vantagem para o segundo até que deu um pau no game, mas mesmo assim, continuei em segundo, com chances de voltar a liderança, enquanto o terceiro colocado continuava sumindo no horizonte. Tinha tudo para ganhar. Mas fui obrigado a largar por estar disputando esta regata da Clipper de uma dúzia de etapas. Agora, entrei com dois barcos nesta, mas com minha conexão 3G que vira 2G quando menos se precisa, ou simplesmente nem conecta. dois barcos é um tremendo erro. Eu continuo levando, pois fiquei de pena de largar o Curupira VIII que estava na frente, mas se o Ondzul ultrapassar, acho que viro a proa do Curupira VIII para o vento. Aliás, nem era para ter começado esta etapa, foi um teste que eu quis fazer. Não deu certo, mas o principal motivo é eu não dispor de uma conexão de internet decente.
Já perdi regatas por causa disso, estar liderando e ficar sem conexão (a última perna da Volvo Ocean Race, sem conexão o barco não pode ser manobrado e encalhou faltando seis horas para o término). Nesse caso da VOR, terminei assim mesmo em 22º, tamanha era a vantagem que eu tinha. Foi uma pena, estava em disputa uma viagem à Espanha...
Não há nada mais o que fazer, agora voltar a dormir. Amanhã tenho de trabalhar fora de casa, e de vez em quando dar uma olhada nos barcos (ando com o notebook embaixo do braço). Esta etap promete ser mesmo dificil como esperado, como sempre, o objetivo é ficar entre os 100 primeiros para ir somando pontos para a Clipper Round The World, ainda faltam mais duas ou três pernas, nem lembro.
* * *
Manhã cedo, acordei sem despertador, e depois de um bom cafe, vim dar uma olhada nos barcos. Como eu previra, caí bem na classificação, mas outra variável entrou nisso, o que torna inviável daqui para a frente levar em consideração a classificação oficial do game - um grupo de skippers conhecidos por optarem sempre pelo que chamo rumos "desesperados", ou seja, rumos sem seguir a mínima lógica geográfica ou meteorológica (são as "zebras" do game), rumaram mais para leste, e com isso entraram nas primeiras posições temporáriamente. Se os padrões climáticos e as previsões para esta área do Caribe estiverem certos, a partir da próxima noite passam a sumir lá para trás, mas até lá, vão dar trabalho. E se por um milagre (é essa a tática dessa turma, a estratégia do milagre), a meteorologia falhar por completo, podem se dar bem e vencer a regata. Entre os primeiros cem colocados na classificação geral da regata, apenas cinco (que inclusive já pertencem ao grupo dos azarões, que estão entre os cem porque se deram bem na etapa do Pacífico) foram para essa rota. Os 95% restantes, inclusive eu, estamos apostando na lógica. Minha preocupação é que nem sempre a lógica prevalece. Nunca vou esquecer, por exemplo a etapa da Clipper no Pacífico, foi uma lição, quando a rota pelo Sul, mesmo sendo 150 milhas marítimas mais longa, e em latitudes mais baixas (que resultam em ventos infeiores), foi a vencedora da regata. Nessa perna, apenas cinco participantes entre os TOP 100 não descartaram a etapa - os mesmos azarões.
Então, como estamos no meio de uma calmaria, não há nada a fazer do que sair fora desta região de ventos fracos como for possível e entrar nos ventos mais fortes ao chegarmos mais próximos das Bermudas. Até lá, nada estará definido nesta perna. Com a calmaria que vai continuar até amanhã, o tempo de regata aumentou, creio que vai até a terça-feira da próxima semana.
De qualquer modo, embora a informação não signifique muito, o Rudneijr aparece agora em 14º (para mim ele é o verdadeiro líder), enquanto o Curupira VIII está em 20º, e o Ondazul BVR caiu muito, aparecendo em 130º. Então, deixo os barcos e o blog, e vou trabalhar. O bom dos ventos fracos é que a gente só precisa dar assistência uma ou duas vezes por dia, já que tudo fica em câmera lenta...
Diário de bordo de um skipper virtual, à bordo do Ondazul BRA(e o Curupira VIII como reserva), com a bandeira brasileira sempre hasteada, e navegando contra alguns dos melhores comandantes do planeta...
BEM VINDO!
Estou retornando a esta blog, depois de meses desconectado, por motivos particulares. Mas nesse meio tempo, continuei participando desta paixão (minha e de todo velejador) pelas simulações de regatas. As chamadas regatas virtuais, algumas de volta ao mundo, tomam nosso tempo e noites de sono, mas o desafio de competir contra os melhores do mundo, representando o Brasil, vale a pena.
Bem vindos à bordo!
Bem vindos à bordo!

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