BEM VINDO!

Estou retornando a esta blog, depois de meses desconectado, por motivos particulares. Mas nesse meio tempo, continuei participando desta paixão (minha e de todo velejador) pelas simulações de regatas. As chamadas regatas virtuais, algumas de volta ao mundo, tomam nosso tempo e noites de sono, mas o desafio de competir contra os melhores do mundo, representando o Brasil, vale a pena.

Bem vindos à bordo!


quinta-feira, 18 de março de 2010

CLIPPER, Leg 7, dia 17 - tarde

Na verdade, acho que esta noite vai ser o momento definitivo para definir se o Ondazul BVR terá alguma chance de terminar entre os 300 primeiros. Assumi um risco calculado de continuar em frente, mesmo com previsão de calmaria nesta próxima noite, pois se descesse para tentar desviar um pouco (mas não daria para desviar muito), com certeza continuaria muito atrás. Então parti para o tudo ou nada, sabendo que as previsões, quando os ventos são fraquíssimos, em áreas de calmaria, podem ser os mais desordenados e surpreendentes possíveis. Pode aparecer o tal vento de 4 nós que está previsto na minha proa, como pode cair para 1 nó, ou de repente, vir outro de 8 nós. Então, se eu quiser ter alguma chance, teria que assumir riscos e foi o que fiz. Continuar navegando atrás da manada não vai me levar a nada. Com esta escolha, ou subo de posição, ou caio de vez. Se cair, como esta perna já está ruim demais, acho que pior não vai ficar, pois o descarte seria fatal. Se der certo, terei ainda alguma chance de conseguir um resultado sofrível e marcar alguns pontos.

Penso que todo mundo arrisca em algum momento, pois quem não arrisca, não petisca. Sou do tipo que procura sempre o mais seguro, costumo fazer uma navegação sem grandes firulas, e acho que isso costuma dar certo. Percebo gente que muda toda hora, resolve ir para o Norte, volta para o Sul, de repente dá outro bordo inesperando e volta: com isso nunca conseguem realmente uma boa posição. Precisamos ter paciência na arte de navegação, e nos movermos somente quando realmente for necessário.

Como toda regra tem exceção, lá vou eu nesta tentativa. Mais tarde conto no que deu (a maioria de vocês já me acompanha na raia, deverá saber em tempo real).

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E o resultado foi um desastre. Mas na verdade, foi até um desastre menor. Eu não tinha chances desde esta manhã, não dava para escapar. Se tivesse descido, minha única outra opção dada as condições dos ventos, teria sido muito pior: teria o mesmo destino do FleBB, do MimiTheChick e do Kundalini, três dos feras que estava entre os dez primeiros da turma do Norte, e agora navegam em vento de 1 nó, com velocidades de 1,5 nó aproximadamente. Ou seja, vão ficar praticamente parados no quadrante onde estão a noite inteira. E amanhã, a previsão onde estão ainda é ruim, bem ruim. Enfim, estão com a regata destruida, podem até desistir, que não tem mais o que fazer.

Já o Ondazul BVR não é diferente. Estou navegando a pouco mais de 3 nós, dá exatamente para sair deste quadrante e passar para outro onde, amanhã, deve aparecer um vento ainda fraco mais que pode me levar adiante um pouco mais. Na verdade, minha regata também está destruida, pois calculo que o Ondazul caia para mais de 1000 na classificação, e não vai conseguir mais recuperar nem metade disso. Acabou.

O Curupira VIII, por outro lado, que eu tinha sacrificado jogando propositalmente para rumos menos favoráveis de modo a poder me concentrar melhor no Ondazul, embora tenha se atrasado muito em função do meu descaso, deve ir se recuperando muito bem esta noite e amanhã, com certeza vai estar entre os 500 melhores, e talvez chegue ainda consiga um top 400. Então, vou continuar na regata dando atenção quase exclusiva a ele, deixando infelizmente o Ondazul BVR para quando for possível.

Realmente, tudo deu errado desde o começo, não teve jeito. A escolha da rota Norte acabou com qualquer possibilidade de pontuar bem nesta etapa. Felizmente o Ondazul BVR na classificação geral não teve grandes prejuizos por eu poder descartar esta etapa, mas não vou poder descartar nada mais. Qualquer erro na escolha da rota nas próximas etapas, e será fim das chances de figurar entre os 50 melhores da Clipper.

Esta Clipper Race tem um grande problema na lentidão dos barcos. Se você entra num gargalo de vento, não tem como escapar, pois os barcos são lentos demais, e não há tempo para mudanças drásticas. Caiu no buraco, não levanta mais. E como as previsões chegam com muitos erros, mudam toda hora, fica impossível, por mais que você tenha cuidado, da loteria ou sorte, como quiser, de cair num vento bom ou mau. Isso é questão de pura sorte, e não de competência. Estou vendo entre os 100 primeiros um monte de barcos que  NUNCA estiveram em posição melhor que 500 ou 1000 nas outras etapas. A sorte tem sido crucial nesta perna. Quem teve mais sorte se deu bem. Quem teve sorte e competência, está entre os 50 primeiros.

Enfim, as vezes a gente ganha, as vezes perde. Faz parte da vida....

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