Ontem à noite atravessamos a linha do Equador, num rumo Sul a quase 10 nós. Os ventos estão fracos, e assim permaneceram até esta noite, entre 5 e 7 nós. Como estamos agora a apenas 200 milhas de Fernando de Noronha, os alísios devem estar muito próximos. Acredito que dentro de mais um dia, entraremos em ventos mais fortes, embora inicialmente obrigando nos obrigando a orçar.
Estive analisando a meteorologia para as próximas 72 horas, e as perspectivas não estão boas, com os alísios soprando fracos, por volta de 8 a 14 nós no máximo. Está difícil decidir qual o melhor momento para entrar na rota da Cidade do Cabo. Por todo o Atlântico Sul, temos ventos fracos e tempo inconstante. Na dúvida continuarei descendo por volta da longitude 30 graus, esperando uma definição das condições atmosféricas. Acho que antes da Bahia não vai dar para estabelecer nenhuma estratégia final para a África do Sul. O jeito vai ser continuar descendo com o rumo o mais perto dos 180 graus possível.
Infelizmente hoje surgiu um problema de saúde, se eu não melhorar até amanhã à noite, serei obrigado a viajar para Sâo Paulo para tratamento. Se for assim, o jeito vai ser estabelecer waypoints por umas 400 milhas ou mais, e deixar o barco seguir sozinho. Longe do ideal, mas pelo menos será uma tentativa de continuar. Sinceramente, espero melhorar amanhã. Vamos ver.
Diário de bordo de um skipper virtual, à bordo do Ondazul BRA(e o Curupira VIII como reserva), com a bandeira brasileira sempre hasteada, e navegando contra alguns dos melhores comandantes do planeta...
BEM VINDO!
Estou retornando a esta blog, depois de meses desconectado, por motivos particulares. Mas nesse meio tempo, continuei participando desta paixão (minha e de todo velejador) pelas simulações de regatas. As chamadas regatas virtuais, algumas de volta ao mundo, tomam nosso tempo e noites de sono, mas o desafio de competir contra os melhores do mundo, representando o Brasil, vale a pena.
Bem vindos à bordo!
Bem vindos à bordo!
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
domingo, 30 de janeiro de 2011
Atravessando o Equador
Estou a algumas horas da travessia da linha do Equador. Os ventos, evidentemente, cairam para 5, 6 nós, estão muito fracos nesta área. O Curupira VIII agora navega a apenas 6,2 nós no rumo sudoeste (estou tentando me posicionar onde devem prevalecer ventos um pouco melhores). Enquanto isso, os líderes virtuais, Philou33 RKN e Kibol, estão muito próximos de ultrapassarem o portal da Cidade do Cabo...
Descobri que mesmo tendo largado numa completa calmaria pelo Mediterrâneo, o Curupira VIII foi posicionado em 5.782º. Uma classificação até honrosa entre 26 mil participantes oficiais, lembrando que muita gente largou com ventos fortes, completando a etapa do Mediterrâneo em pouco mais de um dia.
Como a regata Barcelona World Race é sem escalas, quem largou atrasado não tem a mínima chance (eu por exemplo deixei o porto 12 dias atrasado, pois não tinha conhecimento deste evento). O problema para os organizadores é que muita gente, como eu, ficou sabendo com atraso da regata, e quis participar. Só que ao invés de tentar posicionar os retardatários largando em posições a determinadas milhas dos líderes (como é feito nas regatas da MP), a organização optou por fazer todos largarem do porto inicial. O resultado é total desmotivação. Tentaram corrigir isso dando premiação pelo tempo que o barco leva para vencer determinado trecho da regata. Mas não faz sentido essa solução dos organizadores, pois os barcos partem em dias diferentes, com condições climáticas diversas. O Philou 33 RKN que está liderando na geral, por exemplo, levou 3 dias, quase 4, para vencer o Mediterrâneo, e já tem gente que fez o percurso em 1 dia! Não tem o mínimo sentido.
Nesta região de calmarias, devo gastar alguns dias para chegar na altura de Fernando de Noronha, onde estão os alísios. Estou pensando em deixar o barco simplesmente no piloto automático rumo Sul e voltar a dar uma olhada na regata daqui a uns dias. Difícil se sentir motivado numa regata onde praticamente nenhum objetivo é possível. Somente o avanço na classificação é interessante, já estou em 11.800, mas acho que isso é mais por abandono da maioria dos competidores, que não tem mais motivação para continuar... Daqui a alguns dias terá início a terceira etapa da Velux 5 Oceans, então vai ficar difícil mesmo continuar na BWR
Descobri que mesmo tendo largado numa completa calmaria pelo Mediterrâneo, o Curupira VIII foi posicionado em 5.782º. Uma classificação até honrosa entre 26 mil participantes oficiais, lembrando que muita gente largou com ventos fortes, completando a etapa do Mediterrâneo em pouco mais de um dia.
Como a regata Barcelona World Race é sem escalas, quem largou atrasado não tem a mínima chance (eu por exemplo deixei o porto 12 dias atrasado, pois não tinha conhecimento deste evento). O problema para os organizadores é que muita gente, como eu, ficou sabendo com atraso da regata, e quis participar. Só que ao invés de tentar posicionar os retardatários largando em posições a determinadas milhas dos líderes (como é feito nas regatas da MP), a organização optou por fazer todos largarem do porto inicial. O resultado é total desmotivação. Tentaram corrigir isso dando premiação pelo tempo que o barco leva para vencer determinado trecho da regata. Mas não faz sentido essa solução dos organizadores, pois os barcos partem em dias diferentes, com condições climáticas diversas. O Philou 33 RKN que está liderando na geral, por exemplo, levou 3 dias, quase 4, para vencer o Mediterrâneo, e já tem gente que fez o percurso em 1 dia! Não tem o mínimo sentido.
Nesta região de calmarias, devo gastar alguns dias para chegar na altura de Fernando de Noronha, onde estão os alísios. Estou pensando em deixar o barco simplesmente no piloto automático rumo Sul e voltar a dar uma olhada na regata daqui a uns dias. Difícil se sentir motivado numa regata onde praticamente nenhum objetivo é possível. Somente o avanço na classificação é interessante, já estou em 11.800, mas acho que isso é mais por abandono da maioria dos competidores, que não tem mais motivação para continuar... Daqui a alguns dias terá início a terceira etapa da Velux 5 Oceans, então vai ficar difícil mesmo continuar na BWR
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Navegando na zona equatorial
O Curupira VIII já entrou na zona equatorial, e deve ultrapassar a linha do Equador em mais um dia de navegação. Foram 3.046,8 milhas percorridas deste Barcelona, sendo 2.417,1 milhas no Atlântico Norte. Todas os grupos de ilhas ao largo da África estão para trás - Madeira, Canárias e Cabo Verde.
Os ventos voltaram a ser generosos, entre 10 e 15 nós nas últimas 12 horas. Esta noite estão um pouco mais fracos, entre 8 e 10 nós, mas o Curupira VIII continua navegando numa média de 10 nós, com ventos de través. Pelas previsões, a navegação vai continuar sendo tranquila, embora tenhamos com certeza ventos mais fracos na linha do Equador - mas não parece que teremos as famosas calmarias.
Em termos de classificação, agora estamos em 12.242, e acho que é provável estarmos entre 11 e 12 mil ao chegarmos no Atlântico Sul. É muita gente participando desta regata, e encontro sempre barcos navegando errado nas proximidades (provavelmente abandonados). Eu mesmo não sei até quando poderia continuar nesta regata, que é longa demais.Na semana que vem parece que terei uma viagem a realizar,e a única coisa que poderei fazer será estabelecer waypoints que abranjam vários dias de navegação, deixando na vela automática...
Os ventos voltaram a ser generosos, entre 10 e 15 nós nas últimas 12 horas. Esta noite estão um pouco mais fracos, entre 8 e 10 nós, mas o Curupira VIII continua navegando numa média de 10 nós, com ventos de través. Pelas previsões, a navegação vai continuar sendo tranquila, embora tenhamos com certeza ventos mais fracos na linha do Equador - mas não parece que teremos as famosas calmarias.
Em termos de classificação, agora estamos em 12.242, e acho que é provável estarmos entre 11 e 12 mil ao chegarmos no Atlântico Sul. É muita gente participando desta regata, e encontro sempre barcos navegando errado nas proximidades (provavelmente abandonados). Eu mesmo não sei até quando poderia continuar nesta regata, que é longa demais.Na semana que vem parece que terei uma viagem a realizar,e a única coisa que poderei fazer será estabelecer waypoints que abranjam vários dias de navegação, deixando na vela automática...
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
No través de Cabo Verde
Últimas 24 horas não foram boas para o Curupira VIII. Ontem eu não consegui conectar na hora da mudança de vento, então o barco foi por 2 horas em rumo errado. Depois, os ventos começaram a perder intensidade, indo de 10 /15 nós para 8/10 nós. Mesmo assim, estamos já no través das ilhas de Cabo Verde, com 2.583 milhas desde Barcelona e cerca de 1.953 milhas percorridas no Atlântico.
Os líderes virtuais no momento estão em situação complicada, em calmria total, navegando a 1, 2 nós.... Mas em 48 horas no máximo, devem entrar nos ventos "roaring forties", e começar a navegar com rapidez para leste. Enquanto isso, os líderes na real, o Virbac Paprec 3 e Foncia, estão muito bem, quase entrando no portal da Cidade do Cabo.
Alcancei o meu amigo Dave, do Hirilonde, que deve ter largado de um a dois dias antes de mim. Mas isso não quer dizer nada, pois estamos entrando na região dos Doldrums, e tudo pode acontecer nos próximos dias. Penso que o Curupira VIII pode levar ainda quase uma semana para conseguir chegar aos alísios no Atlântico Sul. Muita paciência, se querem saber. Estou quase abandonando esta regata que não leva a coisa alguma, é apenas um treino para as mais sérias que se aproximam...Ou seja, mais um treinio para a VOR.
Os líderes virtuais no momento estão em situação complicada, em calmria total, navegando a 1, 2 nós.... Mas em 48 horas no máximo, devem entrar nos ventos "roaring forties", e começar a navegar com rapidez para leste. Enquanto isso, os líderes na real, o Virbac Paprec 3 e Foncia, estão muito bem, quase entrando no portal da Cidade do Cabo.
Alcancei o meu amigo Dave, do Hirilonde, que deve ter largado de um a dois dias antes de mim. Mas isso não quer dizer nada, pois estamos entrando na região dos Doldrums, e tudo pode acontecer nos próximos dias. Penso que o Curupira VIII pode levar ainda quase uma semana para conseguir chegar aos alísios no Atlântico Sul. Muita paciência, se querem saber. Estou quase abandonando esta regata que não leva a coisa alguma, é apenas um treino para as mais sérias que se aproximam...Ou seja, mais um treinio para a VOR.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Ao norte de Cabo Verde
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| Simulador mostra chuva, vento de 13 nós, com a velocidade do Curupira VIII em 12,90 nós, spynnaker aberto |
Como voces podem ver na imagem da simulação da BWR, o tempo está feio, mas os ventos continuam favoráveis, e sempre entre 10 e 15 nós. Ou seja, estamos descendo muito bem, ainda em sudoeste. A transição para mim começa nas próximas 6 horas, quando irei aproar direto para sul, ou sul-sudeste. Como planejado. Um barco, o CJS, é o único que se mantém sempre perto do Curupira VIII, embora eu o tenha ultrapassado. O cara é bom skipper, mandei uma mensagem, ele também participa das regatas da MP. Sem dúvida, a experiência na MP ajuda mesmo em qualquer tipo de simulação. Interessante, meu barco já aparece em 12.800 na classificação, mesmo eu tendo me afastado bastante da costa da África, para oeste. Eu havia entrado no Mediterrâneo aproximadamente em 13.800, depois o barco caiu quase para 15 mil com minha estratégia, que agora começa a dar resultados.
O Philou33 RKN continua na briga pela liderança entre os virtuais, enquanto o Paprec 3 e o Foncia lutam para cheger em primeiro ao Cabo da Boa Esperança. Os líderes entre os virtuais estão presos num vento fraco e contrario, navegando a 3, 4 nós, já tem uns dois dias. Muito bom isso! Não vou tirar uma desvantagem de 12 dias nunca, mas vou ficar bem mais perto (espero)...
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Ilha da Cabo Verde está próxima
O Curupira VIII está se aproximando das ilhas de Cabo Verde, e continuo navegando num rumo su-sudoeste (hoje em 208 graus verdadeiros). Devo passar por fora desse arquipélago, e logo em seguida, mudar o rumo para Sul. Marquei vários barcos que navegavam em frente ao meu nos últimos dias, e todos ficaram para trás. Hoje remarquei novos barcos que vão à frente, para ver no que dá. É só para distrair, porque na verdade, em qualquer regata descendo da Europa para Cidade do Cabo, o que define é a estratégia final, no Atlântico Sul.
Por exemplo, na regata real, os barcos Foncia e Paprec 3 que vinha liderando, sofreram danos e pararam em Recife numa escala técnica para reparos. Foram ultrapassados por 3 ou 4 barcos, mas quando largaram novamente, por incrível que pareça, acabaram ultrapassando a todos e hoje lideram com incrível folga, por terem descido mais ao sul, numa rota mais longa. A explicação é que pegaram carona numa frente fria e navegaram a mais de 20 nós de média diária, enquanto o restante da frota ficou em torno de 8 nós de média...
Por falar em regatas, uma pena que a Cape Town - Rio, que está acontecendo agora, seja uma das poucas grandes regatas do mundo da vela oceânica que ainda não conta com uma versão virtual. A organização dessa tradicional prova de vela ainda não percebeu, pelo jeito, a importância da vela virtual casada com a real no marketing e divulgação de uma regata...
Desde a ilha da Madeira, o Curupira VIII está navegando numa velocidade constante ao redor do 10 nós e na direção certa. Com isso, tem avançado muito bem, nesta região que costuma ter ventos bem imprevisíveis, e já percorrreu mais de 2 mil milhas desde Barcelona. Deve continuar assim até Cabo Verde, quando desço em busca dos alísios do Atlântico Sul. Espero que meu barco possa vencer esta região de calmarias (Doldrums, como a chamam os ingleses) sem prejuizos, já tive prejuízos bastantes lá no Mediterrâneo.
Por exemplo, na regata real, os barcos Foncia e Paprec 3 que vinha liderando, sofreram danos e pararam em Recife numa escala técnica para reparos. Foram ultrapassados por 3 ou 4 barcos, mas quando largaram novamente, por incrível que pareça, acabaram ultrapassando a todos e hoje lideram com incrível folga, por terem descido mais ao sul, numa rota mais longa. A explicação é que pegaram carona numa frente fria e navegaram a mais de 20 nós de média diária, enquanto o restante da frota ficou em torno de 8 nós de média...
Por falar em regatas, uma pena que a Cape Town - Rio, que está acontecendo agora, seja uma das poucas grandes regatas do mundo da vela oceânica que ainda não conta com uma versão virtual. A organização dessa tradicional prova de vela ainda não percebeu, pelo jeito, a importância da vela virtual casada com a real no marketing e divulgação de uma regata...
Desde a ilha da Madeira, o Curupira VIII está navegando numa velocidade constante ao redor do 10 nós e na direção certa. Com isso, tem avançado muito bem, nesta região que costuma ter ventos bem imprevisíveis, e já percorrreu mais de 2 mil milhas desde Barcelona. Deve continuar assim até Cabo Verde, quando desço em busca dos alísios do Atlântico Sul. Espero que meu barco possa vencer esta região de calmarias (Doldrums, como a chamam os ingleses) sem prejuizos, já tive prejuízos bastantes lá no Mediterrâneo.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Vejam a interface 3D da BWR
Eu gravei o "Curupira VIII" virtual na Barcelona World Race, para quem ainda não conhece. A interface do game se alterna entre 3D e mapa para navegação. Na inteface 3D, se você está perto de terra (ilha ou continente), numa distância suficiente para avistá-la, verá o contorno correto da costa (proporcionado pelo Google). Se estiver chovendo onde o barco estiver navegando, estará chovendo também na interface. Tudo muito realista. O mar também fica mais manso ou bravo conforme a situação real. Incrível isso. E deve melhorar muito num futuro próximo...
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